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Pedra nos rins: até 10% das pessoas podem apresentar

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Pessoa com as mãos na região lombar, com os rins destacados em vermelho
Nesta página 8 tópicos
  1. O que é litíase renal?
  2. Por que os cálculos se formam?
  3. Tipos de cálculos renais
  4. Como sei que tenho pedra nos rins?
  5. Opções de tratamento
  6. Prevenção: na rotina, quais medidas devo tomar para evitar a formação de pedras nos rins?
  7. Convivendo com a litíase renal
  8. Extra! O cálculo de bexiga: o que devo saber?

A litíase renal, conhecida popularmente como pedra nos rins ou cálculo renal, é uma condição bastante comum: estima-se que 1 em cada 10 pessoas terá pelo menos um episódio ao longo da vida. Apesar de ser uma condição geralmente benigna, ela pode provocar dores intensas e, em casos mais graves, levar a complicações que exigem acompanhamento médico especializado.

O que é litíase renal?

O termo litíase renal vem do grego lithos (pedra) e significa a formação de cálculos (pedras) dentro dos rins ou em qualquer parte do trato urinário (ureteres, bexiga, uretra). Essas pedras são aglomerados sólidos de sais minerais e outras substâncias presentes na urina, que se cristalizam quando a urina fica muito concentrada.

A litíase pode ser silenciosa e descoberta por acaso em exames de imagem, mas também pode causar crises de dor súbita e intensa, conhecidas como cólicas renais. As pedras podem variar em tamanho — desde grãos microscópicos até cálculos grandes que ocupam parte do rim. Algumas são eliminadas naturalmente, outras exigem intervenção médica.

Ilustração comparando um rim saudável e um rim com pedras, com o ureter indicado

Por que os cálculos se formam?

A formação das pedras está relacionada ao desequilíbrio entre substâncias que favorecem a cristalização e aquelas que a inibem. Quando a urina está supersaturada de sais minerais, há uma maior chance de que os cristais se formem e se agrupem, originando os cálculos.

Na maioria das vezes, há uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Fatores individuais e genéticos

  • Histórico familiar de cálculo renal.
  • Doenças renais hereditárias como cistinúria ou hiperoxalúria primária.
  • Excesso de sais na urina: como cálcio, oxalato, ácido úrico, cistina.

Fatores clínicos

  • Diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
  • Gota.
  • Obesidade.
  • Doenças intestinais inflamatórias ou cirurgias bariátricas (aumentam absorção de oxalato).
  • Infecções urinárias de repetição.
  • Hiperparatireoidismo.

Fatores comportamentais e ambientais

  • Baixa ingestão de água/líquidos.
  • Consumo excessivo de sal, proteínas animais e alimentos ultraprocessados.
  • Estilo de vida sedentário.
  • Clima quente (aumento da desidratação).

Tipos de cálculos renais

Nem todas as pedras nos rins são iguais. Elas podem variar em tamanho e composição.

Cálculos renais de vários tamanhos ao lado de uma régua

Cálculos de oxalato de cálcio

  • Mais comuns (70–80% dos casos).
  • Formam-se pela combinação de cálcio com oxalato.
  • Fatores associados: dieta rica em sódio e proteínas, baixa ingestão de líquidos e distúrbios metabólicos, como aumento da absorção intestinal de cálcio, aumento da absorção óssea de cálcio com aumento primário da síntese de vitamina D. A hipercalciúria idiopática é a anormalidade urinária mais frequente em pacientes com nefrolitíase.

Cálculos de ácido úrico

  • Representam 5–10% dos casos.
  • Mais frequentes em pessoas com gota, obesidade e síndrome metabólica.
  • Favorecidos por urina ácida e baixa ingestão de líquidos.

Cálculos de estruvita (fosfato de magnésio e amônio)

  • Associados a infecções urinárias crônicas por bactérias produtoras de urease.
  • Podem crescer rapidamente e ocupar grande parte do rim (“cálculo coraliforme”).
  • Mais comuns em mulheres.

Cálculos de cistina

  • Raros (1–2% dos casos).
  • Decorrentes de uma doença genética chamada cistinúria.
  • Tendem a ser recorrentes e com tratamento mais complexo.

Como sei que tenho pedra nos rins?

Os sintomas dependem do tamanho, localização e movimento da pedra dentro do trato urinário. Pedras pequenas podem não causar sintomas e serem eliminadas espontaneamente, mas quando bloqueiam o fluxo urinário podem provocar um quadro bastante sintomático. Dentre os sintomas clássicos, estão:

  • A famosa cólica renal: uma dor súbita, muito intensa, geralmente na região lombar ou lateral do abdome, que pode irradiar para a virilha ou para região genital. Na maioria das vezes acontece de um lado só da região lombar. É descrita pelos pacientes como uma das dores mais intensas que uma pessoa pode sentir.
  • Sangue na urina (hematúria): a urina pode ficar rosada, avermelhada ou amarronzada.
  • Náuseas e vômitos.
  • Sintomas urinários e infecção urinária: urgência, aumento da frequência e dor ao urinar, podendo chegar a quadro de febre e calafrios.
  • Redução do volume urinário: em casos de obstrução completa.
Infográfico dos sintomas da cólica renal: dor lombar, pedra no rim, urina com sangue e náuseas e vômitos

O diagnóstico geralmente é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.

  • Radiografia de abdômen (Raio-X): útil para cálculos radiopacos, mas menos sensível.
  • Ultrassonografia: exame inicial, sem radiação, bom para detectar cálculos em rins e bexiga. É bem utilizada para gestantes com litíase.
  • Tomografia computadorizada sem contraste: padrão-ouro, ou seja, é o melhor exame para identificar pedra de qualquer tamanho e a localização exata dentro da via urinária.
Tomografia computadorizada com um cálculo renal destacado por um círculo vermelho
  • Exame de urina (EAS): pode mostrar presença de sangue, cristais ou sinais de infecção.
  • Exames de sangue: avaliam função renal (ureia, creatinina) e eletrólitos como cálcio, ácido úrico, sódio, dentre outros.
  • Análise do cálculo eliminado (análise cristalográfica): quando possível, ajuda a identificar o tipo de pedra e orientar a prevenção. É considerado o exame padrão-ouro para determinar a composição do cálculo.
  • Exame metabólico (urina de 24h): avalia excreção de cálcio, oxalato, citrato, ácido úrico, cistina e outros parâmetros. Deve ser coletado concomitante à amostra de sangue e não pode ser realizado no momento da crise. O paciente deve esperar pelo menos 3-8 semanas após a última eliminação de cálculo espontânea ou cirúrgica, também não pode estar em uso de cateter duplo J e não pode estar tratando infecção urinária. Dentro de 3-6 meses do início do tratamento, uma nova amostra de urina de 24h deve ser coletada para avaliar a resposta terapêutica e monitorar eventos adversos. Posteriormente, o acompanhamento pode ser anual.

Opções de tratamento

O tratamento depende do tamanho, localização, composição da pedra e sintomas do paciente. Pode variar desde medidas simples até procedimentos cirúrgicos. O Nefrologista frequentemente atua em conjunto com o Urologista, para a melhor decisão e programação terapêutica.

Tratamento clínico conservador na fase aguda

Indicado para cálculos pequenos (menores que 5 mm), que têm boa chance de serem eliminados espontaneamente. Inclui:

  • Hidratação adequada: aumento da ingestão de líquidos para facilitar a eliminação.
  • Medicamentos para dor: analgésicos e anti-inflamatórios (se o paciente não tiver alteração de função renal).
  • Medicamentos que relaxam o trato urinário: alguns medicamentos facilitam a passagem da pedra.
  • Acompanhamento com exames: para avaliar se o cálculo foi eliminado.

Procedimentos invasivos

Os tratamentos invasivos são realizados pelo Urologista, que é o cirurgião das vias urinárias. Quando a pedra é grande, causa obstrução ou dor intensa, pode ser necessário remover o cálculo. Em algumas situações, o cálculo não pode ser retirado em uma primeira abordagem. Neste caso, é realizado o implante de um pequeno cateter chamado “Duplo J” para manter a via urinária pérvia, para que num segundo momento, o cálculo seja retirado.

  • Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO): ondas de choque fragmentam a pedra em pedaços menores, que são eliminados pela urina.
  • Ureteroscopia: introdução de aparelho fino pela uretra até o ureter para fragmentar e retirar o cálculo.
  • Nefrolitotomia percutânea: indicada para cálculos grandes, é feita uma pequena incisão nas costas para acessar o rim e remover a pedra.
  • Tratamento cirúrgico convencional: hoje em dia é raro, reservado a cálculos muito grandes ou situações complexas.

Tratamento crônico

Depois de ter um episódio de litíase renal, o risco de recorrência é alto: até 50% em 5 anos. Por isso, a prevenção é fundamental e devemos levar em consideração as características químicas dos cálculos e as alterações metabólicas capazes de gerar cálculos específicos.

  • Cálculos de oxalato de cálcio e de ácido úrico: em geral tratamos com uso de diurético tiazídico e restrição de sal na dieta para a hipercalciúria (cálcio urinário de 24h >300mg em homens e >250mg em mulheres), medicação para a hiperuricosúria (ácido úrico urinário de 24h > 800mg) e citrato de potássio para hipocitratúria (citrato urinário de 24h < 250mg), que são os principais mecanismos associados à formação deste cálculo.
  • Cálculos de estruvita: os cálculos de aspecto coraliforme podem atingir todo o rim e o exame de urina revela pH alcalino, além de comum associação com infecção urinária com exame de urocultura positiva para germes produtores de urease (Proteus, Pseudomonas e Klebsiella). O tratamento definitivo é a remoção cirúrgica total do cálculo e nos casos que não houver a retirada total, a antibioticoterapia deverá ser mantida por tempo indefinido.
  • Cálculos de cistina: a solubilidade da cistina aumenta muito em pH urinário alcalino. O uso de citrato de potássio, bicarbonato de sódio e acetazolamida apresentou bons resultados nos pacientes.
Três tipos de cálculo lado a lado: ácido úrico, estruvita e oxalato de cálcio

Prevenção: na rotina, quais medidas devo tomar para evitar a formação de pedras nos rins?

  • Beba bastante água: a recomendação geral é de 2 a 3 litros por dia, salvo restrição médica.
  • Reduza o consumo de sal e evite alimentos ultraprocessados: excesso de sódio aumenta a excreção de cálcio na urina.
  • Modere a ingestão de proteínas animais: como carne vermelha em excesso.
  • Inclua frutas e verduras na dieta: ajudam a alcalinizar a urina e reduzem o risco de cálculos.
  • Evite excesso de alimentos ricos em oxalato: espinafre, beterraba, nozes e chocolate devem ser consumidos com moderação em quem já tem predisposição.
  • Reposição de vitaminas deve ser individualizada: como vitamina D e vitamina C.
  • Controle doenças associadas: como obesidade, diabetes e hipertensão.
  • Faça acompanhamento médico regular: especialmente se já teve cálculos anteriormente.

Convivendo com a litíase renal

Quem já teve pedras nos rins sabe que a experiência pode ser extremamente dolorosa. Além do tratamento imediato, é essencial manter acompanhamento periódico.

O nefrologista avalia aspectos metabólicos e previne recorrência, enquanto o urologista atua principalmente nos casos que exigem tratamento cirúrgico. Muitas vezes, os dois especialistas trabalham em conjunto.

Mais importante do que tratar é prevenir. Assim, é possível reduzir as chances de novos episódios e preservar a saúde dos rins.

Extra! O cálculo de bexiga: o que devo saber?

O cálculo vesical (tipo de pedra formada na bexiga) é caracterizado pela formação ou acúmulo de cálculos (cristais endurecidos) no interior da bexiga. Esses cálculos se desenvolvem a partir da precipitação de sais minerais na urina, geralmente devido à estase urinária, infecção ou presença de corpos estranhos.

As principais causas que levam à obstrução do trato urinário inferior e impedem o esvaziamento completo da bexiga são:

  • Hiperplasia prostática benigna (HPB) em homens.
  • Estenose uretral (estreitamento da uretra).
  • Bexiga neurogênica (alteração do controle neurológico da micção).
  • Infecções urinárias de repetição.
  • Corpos estranhos no trato urinário (cateteres, fios de sutura).
  • Desidratação ou baixa ingestão de líquidos.

Nos casos mais graves, o cálculo pode obstruir completamente a saída da urina, levando à retenção urinária aguda — uma emergência médica.

O tratamento depende do tamanho, composição e da causa do cálculo. As principais opções incluem:

  • Cistolitotripsia endoscópica: procedimento minimamente invasivo que fragmenta o cálculo dentro da bexiga por via uretral, utilizando energia a laser, ultrassom ou pneumática. É o método mais utilizado atualmente.
  • Cistolitotomia aberta: indicada para cálculos volumosos ou quando há necessidade de tratar simultaneamente uma obstrução prostática ou outra anormalidade anatômica.
  • Tratamento da causa de base: é fundamental corrigir o fator predisponente (ex.: tratar HPB, estenose uretral ou bexiga neurogênica) para prevenir recidivas.

Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o prognóstico é excelente. Entretanto, a recorrência é possível se a causa subjacente não for corrigida. Por isso, o acompanhamento é fundamental para evitar complicações e danos ao trato urinário.

Dra. Marina Melém de jaleco no consultório
Quem escreve

A Dra. Marina Melém é médica formada pela Universidade do Estado do Pará e com residência em Clínica Médica e Nefrologia no Hospital de Base de São José do Rio Preto – FAMERP.

Possui alta capacitação no tratamento da litíase renal e anos de experiência em transplante de rim, fazendo parte do corpo clínico de um dos maiores centros transplantadores de rim do Brasil e do mundo. Além de trabalhar em conjunto com colegas urologistas para um melhor seguimento e tratamento do paciente com litíase.

Priorizando a saúde global de adultos de forma integrada, o cuidado da Dra. Marina vai além de exames, priorizando uma escuta ativa, acolhimento e tempo dedicado.

Dessa forma, procurar uma especialista como a Dra. Marina fará toda a diferença no seu diagnóstico e no seu tratamento!

Veja o que pacientes comentam sobre a Dra. Marina

Avaliação no Google de Carmem Cavalcante, 67 anos, agradecendo à Dra. Marina pela paciência, atenção e humanidade no acompanhamento da sua saúde renalAvaliação no Google de André de Grossi: “Profissional muito competente. Consulta realizada com calma, me esclarecendo todas as dúvidas. Recomendo!”

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